Há de se entender que a umbanda e uma religião genuinamente brasileira, com seus ritos e preceitos, onde se diferencia na diversidade de como e vista pelos seus adeptos, variando assim de centro para centro.
Teve o nascimento com a repressão que os negros e índios sofriam na época do Brasil colônia, pelos brancos que eram católicos. Assim negros e índios, não eram considerados “civilizados”, sendo forçados a aceitar de forma, violenta os ritos e preceitos cristãos.
Padres Jesuítas que iniciaram 1549 no Brasil a catequização dos índios e negros, que teve como base as capitanias hereditárias, que se compõe grande parte do nordeste.
Tribos como Aimorés, (Tapuias), Tamoios, Temiminós, Tupiniquins, Potiguaras, Tabajaras, Caetés, Amoipiras e os Tuipnás (Tupinaê). Essas tribos foram oprimidas culturalmente, e tida como não “civilizadas”.
Os povos que habitavam a costa leste, na maioria falante de línguas do Tronco Tupi, foram dizimados, dominados ou refugiaram-se nas terras interioranas para evitar o contato.
Já os negros vieram escravizados percorria toda a costa oeste da África, passando por Cabo Verde, Congo, Quíloa e Zimbábue. Dividiam-se em três grupos: sudaneses, guinenos-sudaneses muçulmanos e bantus. Cada um desses grupos representava determinada região do continente e tinha um destino característico no desenrolar do comércio.
Os sudaneses dividiam-se em três subgrupos: iorubas, gegês e fanti-ashantis. Esse grupo tinha origem do que hoje é representado pela Nigéria, Daomei e Costa do Ouro e seu destino geralmente era a Bahia. Já os bantus, grupo mais numeroso, dividiam-se em dois subgrupos: angola-congoleses e moçambiques. A origem desse grupo estava ligada ao que hoje representa Angola, Zaire e Moçambique (correspondestes ao centro-sul do continente africano) e rinha como destino Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo. Os guineanos-sudaneses muçulmanos dividiam-se em quatro subgrupos: fula, mandinga, haussas e tapas. Esse grupo tinha a mesma origem e destino dos sudaneses, a diferença estava no fato de serem convertidos ao islamismo.
Durante toda essa mistura de cultura e idéias, foram surgindo grupos religiosos, por todo nordeste brasileiro, entre eles: Jurema, Tambor de Mina, Xangô, Terecô, Pajelança e Xambá.
Muitos desses cultos têm semelhanças com a umbanda, e ate se confunde ao ser presenciar seus rituais.
A umbanda teve mesmo sua codificação, apartir do médium Zélio Fernadino de Morais que onde foi convidado a participar da mesa espírita, onde se teve a primeira manifestação de um espírito de “umbanda”, em uma seção kardecista.
Segundo os umbandistas, ela foi criada em 1908 pelo Médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Antes disso, já havia, de fato, o trabalho de guias (pretos-velhos, caboclos, crianças), assim como religiões ou simples manifestações religiosas espontâneas cujos rituais envolviam incorporações e o louvor aos orixás. Entretanto, foi através de Zélio que se organizou uma religião com rituais e contornos bem definidos à qual se deu o nome de umbanda.
Nesta época, não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais afros eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos.
Em 1945, José Álvares Pessoa, dirigente de uma das sete casas de umbanda fundadas inicialmente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da umbanda.
A partir dai muitas tendas cujos rituais não seguiam o recomendado pelo fundador da religião, passaram a dizerem-se umbandistas, de forma a fugir da perseguição policial. Foi aí que a religião começou a perder seus contornos bem definidos e a misturar-se com outros tipos de manifestações religiosas. De tal forma que hoje a umbanda genuína é praticada em pouquíssimas casas.
Hoje, existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências que utilizam a palavra umbanda, como as indígenas (Umbanda de Caboclo), as africanas (Umbandomblé, Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática). Existe também a "Umbanda popular", onde encontraremos um pouco de cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de santos católicos aos orixás africanos) é muito comum.
Continuo nos próximos post falando mais sobre umbanda e jurema na minha visão.

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